terça-feira, 19 de abril de 2011

É moralmente errado mentir por amor? A propósito de Pasíon (Rodrigo Leão) e Lie To Me (Chris Isaak)



É MORALMENTE ERRADO MENTIR POR AMOR?

Textos utilizados: letras das músicas Pasíon (Rodrigo Leão) e Lie To Me (Chris Isaak)


            A maior parte das pessoas considera que é errado mentir. Mas algumas delas pensam que há situações em que mentir não é errado, alegando que se tratam de excepções à regra. Será mentir por amor uma dessas excepções?
Nas letras das músicas Pasíon e Lie To Me a mentira tem um papel central. Em Lie To Me, alguém que é infiel debate-se com um sentimento de culpa que, ao que parece, não é suficiente para o levar a deixar de mentir. "Não interessa o que as pessoas possam dizer, eu sei que todos mentem", afirma, talvez desculpando-se, dando a entender que se trata de uma mentira piedosa, para não fazer sofrer alguém que o ama, porque as coisas que faz "despedaçam-lhe o coração". Em Pasíon, diferentemente, é a própria pessoa apaixonada quem pede à pessoa amada que lhe minta e a ame. "Ah, abraça-me esta noite / E ainda que não te apeteça / Prefiro que me mintas", diz ela (ele?) apaixonadamente.  
            Em ambos os casos a mentira surge como algo que parece ter "justificações" que escapam à esfera da moral, provavelmente por se considerar que os sentimentos e a razão são de natureza diferente. Ou, como escreveu um dia Pascal, o célebre cientista e filósofo francês do séc. XVII, "o coração tem razões que a própria razão desconhece".
            O problema filosófico aqui presente é o de saber se mentir por amor constitui uma excepção à regra moral de não mentir. Vou comparar duas posições sobre este assunto.
            Friedrich Nietzsche, filósofo alemão do séc. XIX, considerava que as regras morais eram negativas para o Homem, porque o inibiam de viver a vida em toda a sua intensidade. Para ele, as noções de Bem e de Mal são arbitrárias e falsas. O amor, em contrapartida, é algo de inequivocamente verdadeiro. "O que se faz por amor está para além do bem e do mal", escreveu um dia, tornando claro deste modo que, em sua opinião, nada de errado existe em mentir por amor.
Immanuel Kant, filósofo alemão do sé. XVIII, defendeu a posição oposta. Na sua opinião, a dimensão humana mais importante não é o desejo ou a paixão, mas a razão humana. E a razão humana indica-nos o que devemos fazer, ainda que não nos apeteça. Ora, uma vez que os deveres são iguais para todos os seres humanos (são universais), é moralmente errado abrir excepções para as regras morais, seja em que circunstâncias for. Neste caso em particular, Kant diria que, por muito piedosa ou bem intencionada que fosse, a mentira continuaria a ser moralmente errada. Esta posição enquadra-se na ética deontológica e opõe-se à perspectiva utilitarista, que defende que uma acção é moralmente boa quando proporciona o máximo de bem estar para o maior número possível de pessoas, ou seja, quando as consequências são as melhores possíveis. Para Kant, pelo contrário, a utilidade ou inutilidade são moralmente irrelevantes, uma vez que “o valor moral da acção não reside, no efeito que dela se espera.”
            De um ponto de vista filosófico, a tentativa de resolução deste problema exige que façamos algumas clarificações. Em primeiro lugar, é necessário responder à pergunta: é moralmente errado mentir, seja em que circunstâncias for? Se se considerar que há circunstâncias em que mentir não é errado, a questão seguinte a resolver é a de saber se a mentira no amor é uma dessas circunstâncias. Se a resposta for afirmativa, há outras perguntas que temos de fazer: nenhuma mentira dita por amor é errada? Apenas algumas? Se sim, que tipo de mentira feita por amor é moralmente aceitável e que tipo é que não é?
            Fica lançado o desafio.

LETRAS UTILIZADAS:
  • Pasión


    Música: Rodrigo Leão / Letra: Ana Carolina

    No me olvides
    Que me muero
    Amor, mi vida, sufrimiento
    Yo, te quiero en mi camino
    Por vos, cambiava mi destino

    Ay, abrázame esta noche
    aunque no tengas ganas
    prefiero que me mientas
    tristes breves nuestras vidas
    acércate a mí
    abrázame a ti por Dios
    entrégate a mis brazos.

    Tengo, un corazón penando
    Yo sé, que vos lo estas escuchando
    Con, mil lagrimas te quiero
    Pasión, sois mi amor sincero

    Ay, abrázame esta noche
    aunque no tengas ganas
    prefiero que me mientas
    tristes breves nuestras vidas
    acércate a mí
    abrázame a ti por Dios
    entrégate a mis brazos

    • Lie To Me

    There is a woman, far over the sea.
    Standing and waiting, praying for me.
    Here I lie sleeping, a girl by my side.
    Who am I hurting, each time I lie?
    Lie to me, lie.....
    Lie to me, lie.....
    There is a woman, trying hard to be brave.
    The way that I hurt her, has made her afraid.
    Things that I'm doing, are breaking her heart.
    Still she's pretending, that we'll never part.
    Lie to me, lie.....
    Lie to me, lie.....
    I don't care what people may say, I know everybody lies.
    I'm not trying to hurt my love, I'm only trying to get by.
    There is a woman, far over the sea.
    Standing and waiting, praying for me.
    Here I lie guilty, a girl by my side.
    Who am I hurting, each time I lie?
    Lie to me, lie.....
    Lie to me, lie.....
    Lie to me, lie.....
    Lie to me, lie.....



    segunda-feira, 21 de março de 2011

    Dia Mundial da Poesia



    Hoje é o Dia Mundial da Poesia. Para vós, um abraço em forma de poema:


    O Poema


    Um poema cresce inseguramente
    na confusão da carne.
    sobe ainda sem palavras, só ferocidade e gosto,
    talvez como sangue
    ou sombra de sangue pelos canais do ser.

    Fora existe o mundo. Fora, a esplêndida violência
    Ou os bagos de uva de onde nascem
    As raízes minúsculas do sol.
    Fora, os corpos genuínos e inalteráveis
    do nosso amor,
    rios, a grande paz exterior das coisas,
    folhas dormindo o silêncio
    - a hora teatral da posse.

    E o poema cresce tomando tudo em seu regaço.

    E já nenhum poder destrói o poema.
    Insustentável, único,
    invade as casas deitadas nas noites
    e as luzes e as trevas em volta da mesa
    e a força sustida das coisas
    e a redonda e livre harmonia do mundo.
    - Em baixo o instrumento perplexo ignora
    a espinha do mistério.

    - E o poema faz-se contra a carne e o tempo.

    Herberto Helder

    quarta-feira, 16 de março de 2011

    XII Conferência de filosofia da Escola Secundária Manuel Teixeira Gomes

     

    A filosofia da música em debate em Portimão. E vamos já em doze edições de uma conferência que se afirmou como uma referência na região. Uma excelente oportunidade para os professores de filosofia se actualizarem cientificamente e partilharem leituras e experiências. O grupo de filosofia da Teixeira Gomes está de parabéns. 

    Enaltecido deve também ser o apoio que o Grupo Pestana tem dado a esta iniciativa, através da oferta da estadia ao conferencista, que vai ficar hospedado no hotel Pestana Dom João II. Um local excelente para a reflexão filosófica, de facto, como poderá constatar clicando aqui.

    quinta-feira, 10 de março de 2011

    Teste intermédio de filosofia: a hora do balanço crítico



    Quem o fez, quem o resolve e quem o corrige


    O teste intermédio de filosofia visto de três perspectivas
    Carlos Café
    Escola Secundária Manuel Teixeira Gomes


    Dia 7 de Março de 2011 foi a data limite para as escolas enviarem para o Gabinete de Avaliação do Ensino Secundário do Ministério da Educação os resultados e a apreciação crítica do teste intermédio de filosofia. Os professores tiveram a oportunidade de comparar os resultados dos seus alunos e avaliar o teste por eles realizado em condições invulgares: o mesmo teste, à mesma hora, em todo o país. Estranhamente, dois terços das escolas decidiram ficar de fora deste processo. Pessoalmente, tenho dificuldade em encontrar um argumento pedagogicamente relevante para sustentar esta decisão, até porque cabia aos grupos disciplinares de cada escola atribuir o peso que o teste teria para os alunos, além de que a não cotação de conteúdos não leccionados estava à partida assegurada. Seja como for, quem decidiu realizar o teste intermédio proporcionou aos seus alunos uma experiência que decerto lhes será útil. E reflectiu em grupo sobre as aprendizagens, os resultados e a qualidade do próprio teste. Penso que esta reflexão deve continuar a ser feita, agora num âmbito mais alargado e público. Este artigo é um contributo para isso.

    Começa assim o artigo que escrevi para a Crítica sobre o assunto. Que pode ser lido aqui.


    sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

    Teste intermédio de Filosofia: uma proposta de preparação para os alunos

    Como não se sabe quase nada acerca do teste intermédio, resolvi criar para os meus alunos uma espécie de teste modelo com perguntas plausíveis, elaboradas de acordo com a tipologia de perguntas disponibilizada pelo GAVE. 
    Aqui fica para partilhar com quem estiver interessado.

    segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

    Do Amor

    O que nos leva a apaixonarmo-nos? O olhar? A voz? A forma de andar? A inteligência? O humor? O corpo? E porque não o modo adorável como dança?

    No Dia do Namorados, uma cena célebre de "Bande à part", de Jean-Luc Godard. Neste caso, numa montagem feita com o tema "Dance with me", dos Nouvelle Vague.

    quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

    "A Corda", de Alfred Hitchcock: como explorar o filme nas aulas de filosofia


    A — FICHA TÉCNICA

    A Corda 

    Título original: Rope

    Nacionalidade: EUA (1948)

    Realizador: Alfred Hitchcock

    Produtores: Alfred Hitchcock/Transatlantic Pictures

    Argumento: Arthur Laurents
    (a partir da adaptação da peça de teatro Rope´s End, de Patrick Hamilton)

    Duração: 77 minutos

    Actores e Actrizes:

    James Stewart (Rupert Cadell)

    John Dall (Brandon Shaw)

    Farley Granger (Phillip Morgan)

    Cedric Hardwicke (Mr. Kentley)

    Constance Collier (Mrs. Atwater)

    Joan Chandler (Janet Walker)

    Douglas Dick (Kenneth Lawrence)


    CURIOSIDADES ACERCA DO FILME:

    Como é sabido, Hitchcock faz uma pequena aparição em todos os seus filmes. Neste, aparece logo no início ao atravessar a rua; pode ser visto, também, no néon que reflecte na janela do apartamento dos dois assassinos. 

    A Corda foi o primeiro filme a cores de Hitchcock. O filme foi todo realizado em filmagens contínuas de quatro a dez minutos, teve apenas oito cortes e foi editado de tal forma que se tem a impressão que não houve cortes durante as filmagens.

    O argumento foi inspirado no caso Leopold-Loeb, dois estudantes da Universidade de Chicago que assassinaram um rapaz de 14 anos de idade apenas pela emoção de matar alguém.

    O filme foi rodado em apenas 20 dias num estúdio à prova de som da Warner Brothers. O cenário de fundo foi feito com nuvens de fibra de vidro e miniaturas do perfil de Nova Iorque, iluminado por 2000 luzes incandescentes e 200 letreiros luminosos. À medida que a acção se desenrola, as nuvens movem-se, o sol põe-se e as luzes acendem-se na cidade.

    A Corda esteve inacessível ao público por muitos anos, pois Hitchcock havia recomprado os seus direitos, juntamente com os direitos de Janela indiscreta, O homem que sabia demais, Um corpo que cai e O terceiro tiro, para deixá-los de herança à sua filha. Esses cinco filmes ficaram conhecidos como «os cinco filmes perdidos de Hitchcock» e só foram relançados em 1984, cerca de quarenta anos após o seu primeiro lançamento. 

    C — ABORDAGEM FILOSÓFICA DO FILME

    PROBLEMA: HÁ VERDADES UNIVERSAIS EM ÉTICA?

    Ao responderes às perguntas que se seguem sobre o conteúdo filosófico do filme, deves ter sempre presente as teorias que foram apresentadas na aula acerca deste problema filosófico. Ei-las:

    A- SUBJECTIVISMO MORAL:
    Os juízos morais dependem da perspectiva de cada sujeito — são subjectivos. Em Ética não há verdades universais, cada pessoa tem a sua «verdade».

    B- RELATIVISMO MORAL:
    Os juízos morais dependem da sociedade em que são proferidos — são relativos. Em Ética não há verdades universais, cada sociedade tem a sua «verdade».

    C- OBJECTIVISMO MORAL (perspectiva naturalista):
    As noções morais de certo e errado, bem e mal são idênticas para todas as pessoas — são objectivas. Em Ética há verdades universais. Sabemos o que é o bem e o mal «ouvindo» a nossa consciência. Há um sentido moral inato que faz parte da natureza humana.

    D- OBJECTIVISMO MORAL (Teoria dos mandamentos divinos):
    As noções morais de certo e errado, bem e mal são idênticas para todas as pessoas — são objectivas. Em Ética há verdades universais. Foi Deus quem decidiu o que é o bem e o mal. Os mandamentos divinos são válidos para todas as pessoas.


    Ao longo do filme, Brandon expõe por várias vezes a sua convicção segundo a qual não é errado matar pessoas apenas para saber qual será a sensação. Eis alguns exemplos:

    Nós matámos pela sensação de perigo e pela sensação de matar.

    Ninguém comete um homicídio apenas pela sensação de o cometer. Ninguém, excepto nós.

    As noções de bem e mal, certo e errado foram inventadas para os seres inferiores porque eles necessitam delas.

    Matar também pode ser uma arte. O poder de matar pode dar tanta satisfação como o poder de criar.

    • Em qual das teorias referidas se enquadram melhor as convicções de Brandon? Porquê?

    AS TEORIAS POSTAS À PROVA: exemplos de perguntas

    SUBJECTIVISMO MORAL
    • Imagina que todas as personagens do filme são defensoras do subjectivismo moral e descobrem que Brandon e Phillip assassinaram David. Faria sentido que os criticassem por terem agido mal? Porquê? 
    • Rupert Cadell foi professor de Filosofia de Brandon, Phillip e Kenneth. Achas que faria sentido a existência da disciplina de Filosofia numa sociedade organizada de acordo com o subjectivismo moral? Porquê?
    RELATIVISMO MORAL
    • Imagina agora que todas as personagens do filme são defensoras do relativismo moral e descobrem que Brandon e Phillip assassinaram David. Faria sentido que os criticassem por terem agido mal? Porquê?
    • Se, por hipótese, o assassínio de David ocorresse numa sociedade onde tal prática fosse considerada normal, que posição deveria assumir o pai de David se fosse defensor do relativismo moral: revolta ou conformismo? Porquê? 
    OBJECTIVISMO MORAL
    • Infelizmente, crimes como o cometido por Brandon e Phillip verificam-se com alguma frequência. Considerarias estes casos como contra-exemplos à perspectiva naturalista do objectivismo moral? Porquê?
    • «Pensavas que eras Deus?», pergunta no final o professor a Brandon, escandalizado com o crime que acabara de descobrir. Agora pergunto eu: e se fosse mesmo? Sim, estás a ler bem: e se Brandon fosse, afinal, Deus? Que diria agora o professor, se fosse defensor da teoria dos mandamentos divinos: continuaria a considerar o acto de Brandon moralmente errado? Porquê?


      Para finalizar, eis a cena de abertura do filme:

    sábado, 8 de janeiro de 2011

    "Todas as Manhãs do Mundo": um elogio belíssimo à Música



    "Todas as Manhãs do Mundo" (Tous Les Matins du Monde, 1991), de Alain Corneau, é um dos meus filmes preferidos sobre uma das coisas que mais aprecio na vida: a Música. A banda sonora, interpretada por Jordi Savall, é de uma beleza arrebatadora. Perfeita para ouvir no mp3 nas caminhadas na praia, de preferência com vento e cachecol. 
    Aqui fica o trailer:

    sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

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    Vendo






    BEM ESTE ANÚNCIO NÃO É O QUE PARECE




    OFERECE-SE


    CÃO DE CAÇA





    (Por ter perdido a cedilha)





    Andar





    à boleia é perigoso




    PASTOR ALEMÃO









    Procura operária portuguesa
    Assunto sério.

    Resposta ao nº 007 deste jornal




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    lá que num blogue de Filosofia se afixem anúncios destes? 





    TROCO

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    Da província, portuguesa, séria e experiente por jovem brasileira, malandra e decadente

    Resposta ao apartado 6969 BRAGANÇA









    PROCURO







    E continuo a procurar. Alguém me diz que merda de anúncios são estes?



    terça-feira, 4 de janeiro de 2011

    Dersu Uzala, de Akira Kurosawa: uma sábia relação do Homem com a Natureza

    O realizador Akira Kurosawa

    Foi um dos filmes que os meus filhos me ofereceram no Natal. É, talvez, um dos melhores filmes que já se fizeram sobre a relação Homem/Natureza. Absolutamente imperdível. Aqui vos deixo um excerto caçado na net.


    domingo, 19 de dezembro de 2010

    Bibliofilmoteca n.º 2: A Filosofia Segundo Woody Allen. Uma sugestão com dedicatória para os amantes de filosofia e do cinema de Woody Allen.



       
    CONARD, Mark T. , SKOBLE, Acon J. (ed.), A Filosofia Segundo Woody AllenCruz Quebrada, Estrela Polar, 2004, 323 pp.

    “Se Deus existe, espero que tenha uma boa desculpa”
    Woody Allen

    Quem gosta de filosofia vai gostar deste livro. Quem gosta dos filmes de Woody Allen também. Quem gosta das duas coisas (e, ainda, de pensar e falar sobre isso) decerto que vai adorar.
    Nesta obra colectiva que mobiliza quinze autores, os filmes de Woody Allen são revisitados a partir dos problemas da filosofia. O modo elegante e divertido como isso é feito é um dos pontos fortes do livro. O outro é a facilidade com que coloca o leitor numa posição de agradável reminiscência em relação aos filmes de Allen vistos há já muito tempo, no ambiente único das salas de cinema de então, antes de terem sido literalmente invadidas pelas pipocas e coca-colas.
    Do ponto de vista da filosofia, é longa a lista de problemas, teorias e autores nele incluído. Ética, estética e filosofia da religião são disciplinas muitas vezes abordadas. Platão, Aristóteles, Kant, Nietzsche e Kierkegaard são frequentemente citados e relacionados com os filmes. Deus, castigo, moralidade, sentido da vida, identidade pessoal e felicidade são alguns dos conceitos mais discutidos.
    São muitos os filmes abordados no livro. Destacarei apenas um, pelo facto de, para surpresa minha, ter sido o que se diz no livro que me levou ao filme, e não o contrário. Refiro-me a “Crimes e Escapadelas” (Crimes and Misdemeanors), de 1989, o único a “merecer” dois capítulos inteiramente dedicados. 
    No capítulo 3, intitulado A Moralidade tem de ser cega? Uma análise kantiana de Crimes e Escapadelas, discute-se a universabilidade que Kant exige para a lei moral. 
    No capítulo 13, intitulado Tudo são trevas: Platão, o anel de Gyges e Crimes e Escapadelas, duas das questões filosóficas discutidas são: se nos pudéssemos vingar, recuperar a nossa honra, a nossa riqueza, ou dignidade, através de meios injustos, fá-lo-íamos? Se tivéssemos a garantia da nossa impunidade, seria errado pôr de lado, por uns momentos, a consciência moral e corrigirmos injustiças para benefício pessoal?
    Para finalizar, deixo-vos com a cena de abertura do filme “Manhattan”, ao som da “Rhapsody In Blue”, de George Gershwin.