quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

12 Homens em Fúria, de Sidney Lumet, para o recomeço das aulas.


12 Angry Men, de Sidney Lumet. Uma obra prima com que iniciei as últimas aulas sobre a retórica. Um excelente filme para começar 2014, provavelmente o melhor happy end para nos despedirmos do tema. Com estas sábias palavras:

Juror #8: "It's always difficult to keep personal prejudice out of a thing like this. And wherever you run into it, prejudice always obscures the truth. I don't really know what the truth is. I don't suppose anybody will ever really know. Nine of us now seem to feel that the defendant is innocent, but we're just gambling on probabilities - we may be wrong. We may be trying to let a guilty man go free, I don't know. Nobody really can. But we have a reasonable doubt, and that's something that's very valuable in our system. No jury can declare a man guilty unless it's SURE. We nine can't understand how you three are still so sure. Maybe you can tell us."
 

Para saber mais sobre o filme (ficha técnica, prémios, curiosidades, etc.) clique aqui. Só falta mesmo o trailer original:


sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Pagar mais impostos é muito bom para quem paga mais impostos.


A propósito de aumento de impostos e empobrecimento, delicie-se com este texto de Gonçalo M. Tavares:

Pagar mais impostos é muito bom para quem paga mais impostos (2)


"- A questão é simples: os impostos servem para melhorar a vida do país. Certo?
- Certo.
- Portanto...
- Portanto: quanto mais impostos um indivíduo pagar, mais o país melhora a sua qualidade de vida.
- Ou seja...
- Ou seja: quanto menos dinheiro uma pessoa tiver por mês para viver - pelo facto de pagar mais impostos - mais dinheiro tem o país, no geral.
No limite: quando alguém compra um pão com manteiga e o come, está, objectivamente, a roubar esse pão com manteiga ao país.
- Isto é: quanto pior cada pessoa viver melhor viverá o país.
- Exacto.
- Viva pois o país! - exclamou o Primeiro Auxiliar.
O segundo concordou.
- A questão é: estamos ao serviço dos interesses do cidadão singular ou do país como um todo?
- Do país como um todo, Chefe! - gritaram, em uníssono, os Auxiliares.
E repetiram ainda, com os braços levantados:
- Como um todo! Como um todo!
- E o país pertence a todos! - insistiu o Primeiro Auxiliar.
- Exacto. A todos!
- Portanto, se o nosso objectivo patriótico é melhorar a qualidade de vida do país, o que temos de fazer é...
- Piorar a qualidade de vida de cada cidadão!
- Aí está!"

TAVARES, Gonçalo M., O Senhor Kraus, Lisboa, Caminho, 2005

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Mr. Nobody, um bom filme com grande riqueza filosófica.


A primeira sugestão cinematográfica do ano é um filme que os meus filhos me sugeriram insistentemente nos últimos meses e cuja edição em dvd descobri neste Natal. Refiro-me a “Sr. Ninguém” (Mr. Nobody, 2009), escrito e realizado pelo belga Jaco Van Dormael, com Jared Leto (actor e vocalista da banda 30 Seconds To Mars), Sarah Polley e Diane Kruger nos principais papéis.

No ano de 2092, Nemo Ninguém, um homem de 118 anos, é o último mortal entre os seres humanos que se tornaram imortais devido aos avanços científicos, envolvendo o rejuvenescimento perpétuo de telômeros. Entrevistado no seu leito de morte, ele revê a sua vida, surgindo sérias dúvidas sobre se as suas memórias são reais ou apenas existências possíveis nascidas na sua imaginação.

O filme utiliza habilmente diferentes teorias científicas, nomeadamente a teoria do Big Bang e a teoria das cordas. Quanto aos aspectos filosóficos, são de destacar as perplexidades que provoca quanto à natureza do tempo e à função da memória na definição do “eu”, mas também por levantar outros problemas filosóficos, tais como a questão do livre arbítrio, a questão ética de saber o que é uma boa escolha ou a dúvida gnosiológica acerca da distinção entre a realidade e a ficção.

Juntemos a tudo isto um bom ritmo narrativo, um bom trabalho dos actores, uma excelente utilização de imagens esteticamente muito fortes e uma rica banda sonora – e eis-nos perante um bom filme para iniciar o novo ano.
Deixo-vos com algumas imagens do filme e o trailer original.






terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Bom ano de 2014!

John Atkinson Grimshaw, Stapleton Park near Pontefract Sun, óleo, 1877
(clique na imagem para ampliar)




Wishlist

Pearl Jam

I wish I was a neutron bomb
For once I could go off
I wish I was a sacrifice
But somehow still lived on
I wish I was a sentimental
Ornament you hung on
The Christmas tree, I wish I was
The star that went on top
I wish I was the evidence
I wish I was the grounds
For fifty million hands up raised
And opened toward the sky
I wish I was a sailor with
Someone who waited for me
I wish I was as fortunate
As fortunate as me
I wish I was a messenger
And all the news was good
I wish I was the full moon shining
Off a camaro's hood
I wish I was an alien
At home behind the sun
I wish I was the souvenir
You kept your house key on
I wish I was the pedal break
That you depended on
I wish I was the verb to trust
And never let you down
I wish I was the radio song
The one that you turned up
I wish, I wish, I wish, I wish
I guess it never stops

Presentes.


sábado, 21 de dezembro de 2013

Boas festas (you must be a christmas tree).



Ceci n'est pas une peinture de Magritte.

Boas festas.


A lição do dia segundo Woody Allen



Do que você precisa, acima de tudo, é de se não lembrar do que eu lhe disse; nunca pense por mim, pense sempre por você; fique certo de que valem mais todos os erros se forem cometidos segundo o que pensou e decidiu do que todos os acertos, se eles forem meus, não seus. Os meus conselhos devem servir para que você se lhes oponha. É possível que depois da oposição venha a pensar o mesmo que eu; mas nessa altura já o pensamento lhe pertence. São meus discípulos, se alguns tenho, os que estão contra mim; porque esses guardaram no fundo da alma a força que verdadeiramente me anima e que mais desejaria transmitir-lhes: a de se não conformarem. Feche, pois, os ouvidos ao que lhe ensino, se alguma coisa lhe ensino; faça a viagem por sua conta e risco, você mesmo ao leme.

Agostinho da Silva, in Sete Cartas A Um Jovem Filósofo