Este é um blogue sobre cinema e filosofia (na sala de aula e não só). Mas também sobre música, arte, literatura, entre outras coisas que enriquecem a minha vida. Neste sentido, é também um blogue pessoal.
O Discurso é um senhor soberano que, com um corpo
diminuto e quase imperceptível, leva a cabo ações divinas. Na verdade, ele
tanto pode deter o medo como afastar a dor, provocar a alegria e intensificar a
compaixão.
Górgias, excerto do Elogio de Helena
Não menosprezemos as palavras e o seu
extraordinário poder. Deixo-vos com excertos de três discursos de excelência: Charlie Chaplin no filme O Grande
Ditador, Martin Luther King no
célebre discurso do dia 28 de Agosto de 1963 em Washington e Malala Yousafzai no dia em que completava 16 anos, na sede da
O.N.U., em Nova Iorque.
12 Angry Men, de Sidney Lumet. Uma obra prima com que iniciei as últimas aulas sobre a retórica. Um excelente filme para começar 2014, provavelmente o melhor happy end para nos despedirmos do tema. Com estas sábias palavras:
Juror #8:"It's always difficult
to keep personal prejudice out of a thing like this. And wherever you run into
it, prejudice always obscures the truth. I don't really know what the truth is.
I don't suppose anybody will ever really know. Nine of us now seem to feel that
the defendant is innocent, but we're just gambling on probabilities - we may be
wrong. We may be trying to let a guilty man go free, I don't know. Nobody
really can. But we have a reasonable doubt, and that's something that's very
valuable in our system. No jury can declare a man guilty unless it's SURE. We
nine can't understand how you three are still so sure. Maybe you can tell us."
Para saber mais sobre o filme (ficha técnica, prémios, curiosidades, etc.) clique aqui. Só falta mesmo o trailer original:
A primeira sugestão
cinematográfica do ano é um filme que os meus filhos me sugeriram
insistentemente nos últimos meses e cuja edição em dvd descobri neste Natal. Refiro-me a “Sr. Ninguém” (Mr. Nobody, 2009), escrito e realizado
pelo belga Jaco Van Dormael, com Jared Leto (actor e vocalista da banda 30 Seconds To Mars), Sarah Polley e Diane
Kruger nos principais papéis.
No ano de 2092, Nemo
Ninguém, um homem de 118 anos, é o último mortal entre os seres humanos que se
tornaram imortais devido aos avanços científicos, envolvendo o rejuvenescimento
perpétuo de telômeros. Entrevistado no seu leito de morte, ele revê a sua vida,
surgindo sérias dúvidas sobre se as suas memórias são reais ou apenas
existências possíveis nascidas na sua imaginação.
O filme utiliza habilmente diferentes
teorias científicas, nomeadamente a teoria do Big Bang e a teoria das cordas. Quanto aos aspectos
filosóficos, são de destacar as perplexidades que provoca quanto à natureza do
tempo e à função da memória na definição do “eu”, mas também por levantar outros problemas filosóficos, tais como a questão do livre arbítrio, a questão ética de
saber o que é uma boa escolha ou a dúvida gnosiológica acerca da distinção
entre a realidade e a ficção.
Juntemos a tudo isto um bom
ritmo narrativo, um bom trabalho dos actores, uma excelente utilização de
imagens esteticamente muito fortes e uma rica banda sonora – e eis-nos perante
um bom filme para iniciar o novo ano.
Deixo-vos com algumas
imagens do filme e o trailer original.