sábado, 18 de janeiro de 2014

Poeta castrado, não!


O poeta e declamador Ary dos Santos morreu há 30 anos. Os mais novos, que talvez não conheçam a sua vida e obra, podem fazer uma pesquisa breve aqui. Para todos os que amam a poesia e a música, deixo-vos aqui um seu poema escrito, o mesmo poema por si dito e uma excelente versão de um tema feito a partir de um célebre poema seu.

Poeta Castrado, Não!

Serei tudo o que disserem
por inveja ou negação:
cabeçudo dromedário
fogueira de exibição
teorema corolário
poema de mão em mão
lãzudo publicitário
malabarista cabrão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!

Os que entendem como eu
as linhas com que me escrevo
reconhecem o que é meu
em tudo quanto lhes devo:
ternura como já disse
sempre que faço um poema;
saudade que se partisse
me alagaria de pena;
e também uma alegria
uma coragem serena
em renegada poesia
quando ela nos envenena.

Os que entendem como eu
a força que tem um verso
reconhecem o que é seu
quando lhes mostro o reverso:

De fome já não se fala
- é tão vulgar que nos cansa -
mas que dizer de uma bala
num esqueleto de criança?

Do frio não reza a história
- a morte é branda e letal -
mas que dizer da memória
de uma bomba de napalm?

E o resto que pode ser
o poema dia a dia?
- Um bisturi a crescer
nas coxas de uma judia;
um filho que vai nascer
parido por asfixia?!
- Ah não me venham dizer
que é fonética a poesia!

Serei tudo o que disserem
por temor ou negação:
Demagogo mau profeta
falso médico ladrão
prostituta proxeneta
espoleta televisão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado, não!

José Carlos Ary dos Santos


quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Do poder das palavras.



O Discurso é um senhor soberano que, com um corpo diminuto e quase imperceptível, leva a cabo ações divinas. Na verdade, ele tanto pode deter o medo como afastar a dor, provocar a alegria e intensificar a compaixão.


Górgias, excerto do Elogio de Helena


Não menosprezemos as palavras e o seu extraordinário poder. Deixo-vos com excertos de três discursos de excelência: Charlie Chaplin no filme O Grande Ditador, Martin Luther King no célebre discurso do dia 28 de Agosto de 1963 em Washington e Malala Yousafzai no dia em que completava 16 anos, na sede da O.N.U., em Nova Iorque.





domingo, 12 de janeiro de 2014